Usar ou não a equação de estimativa (220 – idade)?
Recentemente inúmeros estudos sobre as equações de estimativa da freqüência cardíaca máxima (FCmáx) vêm questionando sua eficiência na determinação de tal variável(2, 5, 9, 13, 14, 15, 17). Este questionamento é salutar já que o processo do constructo científico é dinâmico, o que acaba por favorecer a evolução.
O que preocupa na realidade é que grande parte dos estudos tem assumido um posicionamento e atitudes extremistas. Devemos pensar que muitos dos conceitos ou determinações para a prescrição dos exercícios físicos e para avaliação cardiorrespiratória têm como base a FCmáx estimada pela equação 220-idade (1, 4, 7, 12, 6).Acreditamos que o maior problema esteja relacionadocom o processo ético que envolve a equação 220-idade, essa tem sido relacionada ao nome de Karvonen em seu estudo de1957, fato é que este estudo teve uma outra abordagem que não envolvia a elaboração desta equação. No citado estudo, o autor teve como objetivo o desenvolvimento da seguinte equação FCt = (FCtreino – Fcrepouso/FCmáx – FCrepouso) x 100, que teve como amostra cinco alunos do curso de Medicina, sendo que um dos indivíduos realizou o teste duas vezes (8).
Na realidade, encontramos na literatura uma série de trabalhos que atribuem a autoria da equação 220 – idade a vários autores (4, 6, 10, 15), na realidade não se sabe quem é o verdadeiro autor da equação supracitada, o que se observa é que a maioria das citações podem não ter tido o cuidado ético com a transmissão do conhecimento. Tanto Fox, Naughton & Haskell (6) como Astrand & Rodahl (4) referenciam a freqüência cardíaca submáxima(FCsubmáx) como sendo critério do “Comitê Escandinavo de Ergometria” como ponto de interrupção para testes cardiovascular. Segundo Mirkin (13), em documento aberto encontrado na Internet, essa equação teria sido preconizada por Fox durante um vôo, onde o autor pegou um papel e um lápis e com base nos dados de outros estudos traçou uma reta, observando que a FCMáx que um indivíduo poderia chegar seria 220 batimentos por minuto (bpm). O que nos chama atenção em tal relato foi o tempo que Mirkin guardou essa informação (30 anos), principalmente, quando ele mostra a preocupação na formação dos estudantes de medicina que vêm utilizando essa equação. Recentemente Robergs & Landwehr (15) citaram que a autoria da equação está associada ao trabalho de Fox,Naughton & Haskell (6), o que nos permite um questionamento: se o nomograma ajustado de ?strand (1960) citado por Astrand & Rodahl (4) para estimativa do consumo máximo de oxigênio tem como ponto de interrupção 85% da FCmáx estimada pela fórmula 220 – idade. Sendo que neste caso, o estudo de Fox, Naughton & Haskell (6) é de um período posterior a modificação realizada por ?strand (1960), o que faz com que essa declaração não tenha sentido. Na realidade, não importa a autoria, mais sim a relação ética de que só podemos repassar uma informação que tenhamos a certeza de sua origem. Estudo realizado por Araújo (3)demonstra que nos dias de hoje, a obtenção da informação passa a ser favorecida já que temos tantas ferramentas disponíveis na busca e na aquisição de nossas referências.
Um outro ponto que causa preocupação é ouvir algumas frases como: “esta equação não presta”, “não devemos mais usar essa equação, pois ela superestima”, etc... Lembramos que é muito cedo para tais afirmações. Devemos realizar mais estudos tanto para verificar os resultados de outras
equações de estimativa da FCmáx, bem como, reavaliar os protocolos de estimativa do consumo máximo de oxigênio que utilizam tal fórmula. Independente da equação utilizada para a prescrição dos exercícios, parece que o mais importante é a sistematização dos programas de exercícios (teste e re-teste). A comparação dos resultados do indivíduo pré e pós-início do programa é o ponto crucial no momento da elaboração dos ciclos de treinamento. Sendo assim, seria recomendado um pouco mais de prudência nas afirmações ou mesmo no posicionamento científico, lembrando que a verdade de hoje poderá ser a meia verdade de amanhã. Ou seja, a ciência busca a compreensão dos fatos e fenômenos e não a verdade absoluta dos mesmos.
Referências Bibliográficas
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7. FROELICHER, VF; MYERS, JFWP e LABOVITZ, AJ. Exercício e o Coração. 3a ed. Rio de Janeiro – RJ, Editora
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12. MOLINARI, B. Avaliação médica e física para atletas e praticantes de atividade física. São Paulo – SP; Editora
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16. SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA (SBC): DEPARTAMENTO DE ERGOMETRIA E REABILITAÇÃO CARDIOVASCULAR DA; Consenso Nacional De Ergometria.; Aqr Brás Cardiol. 19595; 65(2): 189-211.
17. TANAKA, H; MONAHAN, KD e SEALS, DR. Agepredicted maximal heart rate revisited. J. of American college of cardiology. 2001; 37(1):153-156.
1 Prof. MSc. do Curso de Educação Física de Universidade Católica
de Brasília – UCB/DF.
2 Prof. Dr. do Programa de Pós Graduação Stricto Sensu Recebido: 02/02/2004
Aceite: 11/06/2004 |